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Marcação a mercado: por que seu título oscila

Marcação a mercado é a atualização diária do preço do seu título pelo valor de venda de hoje. Juros de mercado sobem → títulos prefixados antigos valem menos; juros caem → valem mais. A oscilação só vira perda (ou lucro) se você vender antes do vencimento — levado até o fim, o título paga exatamente o contratado.

A mecânica em um exemplo

Um Tesouro Prefixado que promete R$ 1.000 daqui a 5 anos a 13% ao ano custa hoje ~R$ 543 (o valor futuro descontado pela taxa). Se amanhã o mercado passar a exigir 15% para o mesmo prazo, o mesmo título passa a valer ~R$ 497 — queda de 8,4% no saldo, sem que nada tenha mudado no que você recebe em 5 anos. O contrário também vale: taxa caindo para 11%, o título salta para ~R$ 593.

Quanto mais longo o vencimento, maior a sensibilidade: cada ponto de juro mexe pouco num título de 1 ano e muito num de 2045. É por isso que os IPCA+ longos são os campeões tanto das altas quanto dos sustos.

O mapa por investimento

  • Tesouro Selic — imune na prática: acompanha a taxa diária. Por isso é o título da reserva de emergência.
  • Tesouro Prefixado e IPCA+ — oscilação diária plena; risco real apenas na venda antecipada. Quando o IPCA+ vale a pena.
  • CDB comum (levado ao vencimento) — sem marcação visível: a corretora mostra o valor na curva. A iliquidez é o outro lado da moeda.
  • Fundos de renda fixa — a cota é marcada a mercado por obrigação; quem viu fundo “conservador” cair em 2021-2022 conheceu esse efeito.

A regra que elimina o problema

Case o vencimento com o objetivo. Dinheiro com data certa vai em título que vence naquela data; dinheiro sem data vai no Tesouro Selic. Quem segue essa regra nunca é forçado a vender no momento errado — e pode ignorar a marcação a mercado por completo.

Perguntas frequentes

O que é marcação a mercado?

É a atualização diária do preço de um título pelo valor que ele teria se fosse vendido hoje. Como o preço de um título prefixado é o valor futuro descontado pela taxa de juros atual, quando os juros sobem o preço cai — e vice-versa. O saldo que você vê na corretora reflete esse preço, não o valor contratado no vencimento.

Marcação a mercado gera perda de verdade?

Só se você vender. A oscilação é o preço de saída antecipada; quem carrega o título até o vencimento recebe exatamente a taxa contratada, independentemente do que o saldo mostrou no caminho. A perda vira real apenas no resgate antes da hora em um momento desfavorável.

Quais investimentos têm marcação a mercado?

Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ (as maiores oscilações, principalmente nos vencimentos longos), debêntures e títulos negociados no secundário, e as cotas de fundos de renda fixa que carregam esses papéis. O Tesouro Selic praticamente não oscila; CDBs comuns levados ao vencimento também não — o banco os registra na curva.

Por que meu Tesouro IPCA+ está negativo se ele 'garante' a inflação?

A garantia vale para o vencimento. No meio do caminho, se o juro real exigido pelo mercado subir (ex.: de 5,5% para 7%), os títulos antigos que pagam menos perdem valor imediatamente — quedas de 10-30% em vencimentos longos não são raras. Nada disso muda o que você recebe se levar até o fim.

Dá para ganhar com a marcação a mercado?

Sim: quem compra prefixado ou IPCA+ antes de um ciclo de queda de juros vê o título valorizar acima da taxa contratada e pode vender com lucro antecipado. É uma estratégia legítima, mas especulativa — exige acertar a direção dos juros, o que nem o mercado faz de forma consistente.

Simule os três títulos públicos no simulador do Tesouro Direto.