Qual é o seu perfil de investidor?

11 perguntas, sem cadastro, na mesma régua que a Resolução CVM 30 obriga a sua corretora a usar: objetivos, situação financeira e conhecimento, medidos em separado. No fim você não vê só o rótulo — vê qual dos três pilares define o seu perfil hoje.

O que cada perfil quer dizer

Conservador

Previsibilidade acima de rentabilidade

Moderado

Aceita oscilar um pouco em troca de render mais

Arrojado

Prazo longo, folga financeira e repertório para entender o risco

Repare que nenhum dos três é o objetivo a alcançar. Existe uma ideia circulando de que investidor bom é investidor arrojado, e ela é falsa. O perfil certo é o que combina com o prazo do seu dinheiro e com o seu sono. Um mesmo investidor costuma ter, ao mesmo tempo, dinheiro conservador (a reserva de emergência) e dinheiro arrojado (a aposentadoria daqui a trinta anos). A pergunta nunca é só quem você é, é também para que serve cada parte do seu dinheiro.

Os três pilares que a norma exige

O art. 3º da Resolução CVM nº 30, de 11 de maio de 2021 não pede uma nota de risco. Pede que se verifiquem três coisas separadas, cada uma com um mínimo de itens a analisar. É essa a estrutura do questionário acima, um a um:

ObjetivosArt. 3º, § 1º

Prazo que você pretende manter o investimento, sua preferência declarada quanto a risco e a finalidade do dinheiro.

  • Para que é esse dinheiro?Art. 3º, § 1º, III
  • Por quanto tempo você pretende deixar esse dinheiro aplicado?Art. 3º, § 1º, I
  • Seu investimento cai 10% em um mês. O que você faz?Art. 3º, § 1º, II

Situação financeiraArt. 3º, § 2º

Se a sua situação comporta o produto: o que sobra das suas receitas, o peso da aplicação no seu patrimônio e necessidades de dinheiro já previstas.

  • Do que você recebe por mês, quanto costuma sobrar depois das contas?Art. 3º, § 2º, I
  • Que fatia do que você já tem guardado vai para este investimento?Art. 3º, § 2º, II
  • Você já sabe de alguma despesa grande chegando?Art. 3º, § 2º, III
  • Você já tem reserva de emergência?acréscimo nosso
  • Você tem dívida cara hoje?acréscimo nosso

ConhecimentoArt. 3º, § 3º

Se você tem repertório para entender os riscos: familiaridade com os produtos, histórico de operações e formação ou experiência na área.

  • Com quais desses você já teve contato de verdade?Art. 3º, § 3º, I
  • Há quanto tempo e com que frequência você investe?Art. 3º, § 3º, II
  • Você tem formação ou trabalha com finanças?Art. 3º, § 3º, III

Nove dessas perguntas são o mínimo que a norma manda analisar. As duas restantes — reserva de emergência e dívida cara — são acréscimo nosso, sinalizado como tal em cada tela, porque perfil de risco pressupõe que o básico está resolvido.

Por que vale o pilar mais baixo, e não a média

Aqui está a diferença que mais muda o resultado. Somar tudo numa nota única deixa um pilar forte compensar um pilar fraco: quem tem estômago para ver o valor cair, mas nunca investiu e vai colocar quase tudo o que tem numa aplicação só, sai classificado como arrojado por média — e não é. Suitability é verificação de adequação, e adequação funciona como restrição: basta um pilar não comportar o risco para o risco não caber.

Por isso o resultado aparece com os três medidores lado a lado e aponta qual deles definiu o seu perfil. É a informação mais útil da página. Saber que o freio é o conhecimento, e não a sua tolerância a perda, diz exatamente o que fazer a seguir — e é o tipo de coisa que um rótulo sozinho nunca conta.

O que a sua corretora é obrigada a fazer com isso

Esta parte quase ninguém conhece, e ela vale dinheiro. Pelo art. 6º da mesma resolução, é vedado recomendar produto ou serviço quando ele não é adequado ao seu perfil, quando o perfil não foi levantado ou quando as informações estão desatualizadas.

E se você ordenar a operação mesmo assim, o art. 7º obriga a instituição, antes da primeira operação naquela categoria, a duas coisas: alertar você sobre a inadequação indicando as causas da divergência e obter a sua declaração expressa de que está ciente. Traduzindo: aquele termo de ciência que aparece para assinar antes de liberar um produto não é burocracia — é o aviso formal de que aquilo não cabe no seu perfil. É o momento exato de parar e perguntar por que estão te oferecendo assim mesmo.

Vale saber também que o art. 9º manda manter o seu perfil atualizado, seguindo a periodicidade do cadastro e com intervalo máximo de cinco anos, e reclassificar as categorias de produtos a cada 24 meses. Se a sua instituição nunca pediu uma revisão, é motivo para cobrar.

Como calculamos, sem caixa-preta

Cada resposta vale pontos dentro do seu pilar. A soma de cada pilar vira uma nota de 0 a 100 e a faixa define aquele pilar: abaixo de 35, conservador; de 35 a 65, moderado; acima de 65, arrojado. O perfil final é o mais cauteloso dos três. Nenhum dado é enviado para lugar nenhum enquanto você responde: as respostas ficam no seu navegador, e nunca perguntamos quanto você ganha nem quanto você tem — só a proporção, que é o que responde se a aplicação é grande demais para você.

Ferramenta educacional. O questionário segue a estrutura do art. 3º da Resolução CVM nº 30/2021, mas não é a análise de perfil (API) exigida por regulação: só a sua instituição financeira pode aplicá-la, e só o resultado dela vale para liberar ou bloquear produtos na sua conta. Não coletamos os valores em reais que a norma exige dela, não consideramos a sua situação patrimonial completa e não constituímos recomendação de investimento. Detalhes na metodologia.

Perguntas frequentes

O que é perfil de investidor?

É o retrato de quanto risco faz sentido para você. No Brasil isso não é opinião de mercado: a Resolução CVM nº 30, de 2021, obriga bancos, corretoras e consultores a verificar três coisas antes de recomendar qualquer produto — se ele cabe nos seus objetivos, se a sua situação financeira o comporta e se você tem conhecimento para entender os riscos. Os nomes conservador, moderado e arrojado são convenção de mercado, não estão na norma. Nenhum é melhor que o outro: são descrições de situação, não notas.

Por que este teste tem mais perguntas que o da minha corretora?

Porque cobre item por item o mínimo que o art. 3º da Resolução CVM 30 manda analisar: três sobre objetivos (prazo, preferência de risco e finalidade), três sobre situação financeira (o que sobra das suas receitas, o peso da aplicação no seu patrimônio e necessidades futuras de dinheiro) e três sobre conhecimento (familiaridade com produtos, histórico de operações e formação ou experiência). São nove, mais duas nossas sobre reserva de emergência e dívida cara. Questionário curto costuma ser curto porque pulou a parte da situação financeira, que é justamente a mais incômoda de perguntar.

Por que o meu perfil é o pilar mais baixo, e não a média dos três?

Porque suitability é verificação de adequação, e adequação é restrição, não média. Basta um pilar não comportar o risco para o risco não caber. Alguém que aguenta ver o valor cair, mas nunca investiu e vai colocar quase tudo o que tem numa aplicação só, não é arrojado — é alguém prestes a descobrir isso da forma cara. Somar tudo numa nota única deixaria o apetite alto compensar o conhecimento zero, e é assim que questionário de perfil vira formalidade. Por isso o resultado mostra os três medidores lado a lado e diz qual deles segurou.

Preciso criar conta para responder?

Não. O questionário roda inteiro sem cadastro, e o resultado aparece na hora. As respostas ficam guardadas apenas no seu navegador, então você pode fechar a página no meio e continuar depois. O e-mail só é pedido no fim e é opcional: quem não deixa contato leva exatamente o mesmo resultado.

Por que vocês não perguntam quanto eu ganho e quanto eu tenho?

A norma manda a sua corretora analisar o valor das suas receitas regulares e o valor do seu patrimônio, em reais — e ela pergunta isso porque abre conta em seu nome e responde por essa análise. Este site não abre conta e não tem por que saber quanto você tem. Perguntamos a proporção: quanto sobra por mês e que fatia do seu patrimônio vai para a aplicação. Isso responde à mesma pergunta de fundo — essa aplicação é grande demais para esta pessoa? — sem coletar patrimônio de ninguém.

Esse teste substitui o da minha corretora?

Não, e são coisas diferentes. Só a instituição onde você investe pode aplicar a análise de perfil que vale para liberar ou bloquear aplicações na sua conta, e é ela que responde perante a CVM por isso. Este questionário é educacional: existe para você entender a lógica das perguntas, reconhecê-las quando aparecerem e saber ler o resultado que a corretora te der.

A corretora pode me oferecer um produto que não bate com o meu perfil?

Recomendar, não pode. O art. 6º da Resolução CVM 30 proíbe recomendar produto inadequado ao perfil do cliente, e também proíbe recomendar quando o perfil não foi levantado ou está desatualizado. Se mesmo assim você ordenar a operação, o art. 7º obriga a instituição, antes da primeira operação naquela categoria, a te alertar sobre a inadequação indicando as causas e a obter a sua declaração expressa de que está ciente. Ou seja: aquele termo de ciência que aparece para assinar não é burocracia, é o aviso de que o produto não cabe no seu perfil. É o momento de parar e perguntar por quê.

Por que o resultado fala de dívida e reserva antes de falar de perfil?

Porque perfil de risco pressupõe que o básico está resolvido, e essas duas perguntas são um acréscimo nosso ao mínimo da norma. Quem tem dívida de cartão rotativo paga um juro que nenhum investimento de renda fixa alcança, então cada real usado para quitar rende mais que qualquer aplicação. E quem não tem reserva de emergência acaba resgatando na pior hora, com imposto alto e às vezes com prejuízo. Discutir conservador contra arrojado antes disso é discutir a decoração antes da fundação.

De quanto em quanto tempo devo refazer?

Sempre que algo relevante mudar na sua vida — quitar dívidas, montar a reserva, trocar de emprego, ter um filho, chegar perto de um objetivo com data marcada. Perfil não é traço de personalidade, acompanha a sua situação. Na sua corretora existe prazo formal: o art. 9º manda manter as informações de perfil atualizadas seguindo a periodicidade do cadastro, com intervalo máximo de 5 anos, e reclassificar as categorias de produtos a cada 24 meses. Se a sua instituição nunca te pediu para revisar, vale cobrar.

O resultado vai me dizer o que comprar?

Não, e isso é proposital. Este site não é instituição financeira, não vende produtos de investimento e não faz recomendação. O que o resultado entrega é o oposto de um empurrão de produto: uma leitura da sua situação, o pilar que está limitando você hoje e os conteúdos e simuladores do próprio site que respondem a isso. A decisão de investir continua sendo sua.

Como funciona a pontuação?

Cada resposta vale pontos dentro do seu pilar. A soma de cada pilar vira uma nota de 0 a 100 e a faixa define aquele pilar: abaixo de 35 é conservador, de 35 a 65 é moderado, acima de 65 é arrojado. O perfil final é o mais cauteloso dos três pilares. As faixas do meio são propositalmente largas, porque separar alguém por um ponto de diferença seria falsa precisão. A régua inteira está descrita nesta página, sem caixa-preta.

Já sabe seu perfil e recebeu uma oferta da corretora? O teste “vale a pena?” diz em segundos se o papel rende mais que o Tesouro de mesmo prazo.